Citricultura brasileira está na contramão das commodities

 

AO CONTRÁRIO DE OUTROS PRODUTOS, O SUCO VÊ SEU POTENCIAL DE VENDAS CAIR

Muitas vezes, a citricultura assistiu a safras como esta de 2012/13, que se inicia neste mês.
 
Como este, os anos do início da década de 1990 -quando quem não tinha contrato com a indústria vendia sua laranja no portão da fábrica, no chamado "spot", por apenas R$ 1 a caixa de 40,8 quilos, o que não cobria nem os custos de colheita e frete- também foram ruins.
 
Mais adiante, os anos de 1997 a 1999 e depois de 2003 e de 2004, também foram complicados. Naquele ano de 2004, em julho, a Bolsa de Nova York operou com o menor preço do suco da história.
 
Os produtores receberam naquele período cerca de R$ 6, enquanto o custo de produção estava um pouco acima de R$ 7 por caixa ("Agrianual 2004"). Mais recentemente, em 2009, novamente os produtores e a indústria tiveram problemas com os baixos preços de seus produtos.
 
Praticamente todas essas crises tiveram um cenário comum: previsão de grande safra de laranjas, ou então duas safras seguidas de alta produção, como as que ocorrem agora (390 milhões de caixas em 2011/12 e previsão de 360 milhões para 2012/13) e indústria muito estocada de suco.
 
Para piorar o quadro, há a consolidação de tendência de queda do consumo de suco no mercado internacional.
 
A indústria, desta vez, anuncia abertamente que deverá moer menos frutas do que o volume habitual, já que afirma não ter capacidade para armazenar tanto suco.
 
Ainda mais que o suco pasteurizado, o NFC (não do concentrado da sigla em inglês), ocupa seis vezes mais espaço quando comparado ao suco concentrado.
 
Nesta safra, os produtores que não têm contrato terão dificuldades para entregar suas frutas.
 
A indústria, já não sem tempo, anuncia um projeto de grande porte para reanimar os consumidores tradicionais e conquistar novos mercados que estão sendo assediados por outras bebidas.
 
Aí está a saída. A citricultura não pode ficar dependente de eventos climáticos negativos nas regiões de produção de laranjas, que diminuam a oferta de matéria-prima, para conseguir preços remuneradores.
 
As principais commodities agrícolas mundiais como soja, milho e algodão têm sido rentáveis porque a demanda aumentou nos últimos anos.
 
Ao contrário, o suco de laranja vê seu potencial de vendas diminuir.

O setor deve, sim, investir em marketing para que o mercado volte a crescer.

É urgente que isso ocorra, ou então a citricultura se tornará pequena, e se transformará num mercado de nicho, para poucos consumidores que puderem pagar muito e também para uns poucos produtores de laranja. A hora da retomada é agora.
 
MAURÍCIO MENDES é presidente da Informa Economics FNP e da ABMRA e consultor do GCONCI

Fonte: ESPECIAL PARA A FOLHA DE SÃO PAULO


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