Gripe H1N1 alavanca o preço do suco na bolsa americana


“Que o alimento seja teu remédio, e o remédio teu alimento.”
 
De acordo com escritos chineses, a laranja já era usada dois séculos antes de Cristo. Na Europa, as primeiras referências datam do século XV e registros afirmam que foi trazida para América por Colombo. 
 
Antigamente, nas cidades sitiadas, nas grandes viagens por mar e nas expedições polares havia insuficiência de alimentos frescos, surgia nos habitantes ou nos viajantes uma doença que foi descrita pela primeira vez em 1534, o escorbuto. No século XVI, os navegadores holandeses já haviam descoberto o efeito antiescorbútico dos limões e laranjas e, realmente, essas frutas apresentam um conteúdo extraordinariamente elevado de vitamina C. 
 
Há mais de dois mil anos, Hipócrates, o precursor da medicina, a partir de observações empíricas cunhou a máxima: “Que o alimento seja teu remédio, e o remédio teu alimento.” Isso evidencia que a alimentação diária, além de prover sustento, pode ter propriedades curativas. Recentemente, a  ciência relacionou nutrientes em nossas refeições que podem agir como agentes preventivos ou provocadores de doenças.
 
Partindo dessas observações, nossa  saúde depende principalmente da soma de “pequenas”, porém numerosas, decisões que tomamos a cada dia. Ou seja, de nosso estilo de vida.  Geralmente, as decisões que mais  afetam a saúde são as que se relacionam com os alimentos que ingerimos ou não.  
 
Disse o Professor Wilhelen Stepp, pesquisador alemão reconhecido mundialmente por seus estudos sobre vitaminas  em viagem à Espanha: “É completamente absurdo que nesta região se receitem preparados de vitamina C”.  E completou: “É mais saudável saborear uma boa laranja do que tomar o melhor medicamento à base de vitamina  C que a nossa indústria tem produzido.”  Ele estava certo, a laranja natural  é superior a qualquer preparado farmacêutico como fonte de vitamina C. Hoje sabemos que além da vitamina C, na laranja encontram-se cerca de 170 elementos fitoquímicos que potencializam e complementam a ação da vitamina C no organismo. 
 
Em sua composição destacam-se as seguintes substâncias: açúcares (sacarose, dextrose e levulose), minerais (potássio, cálcio, ferro e magnésio, principalmente), vitaminas (C, A, B1 e B2), ácido fólico (essencial para o desenvolvimento  do sistema nervoso), fibras (presente no consumo da fruta in natura), ácidos orgânicos (especialmente o cítrico que potencializa a ação da vitamina C), carotenóides, elementosfitoquímicos, flavonóides (com ação antioxidante, antiinflamatória e antitumoral)  e limonóides (responsáveis  pelo aroma da laranja). 
 
Graças à sua extraordinária composição química, a laranja estimula as defesas contra infecções, é protetora das artérias, antialérgica, alcalinizante, remineralizante e anticancerígena. 
 
Suas aplicações dietoterapêuticas são:
 
Doenças infecciosas: A laranja não  deveria faltar na mesa de quem esteja passando por uma doença infecciosa ou que deseje prevení-la. Estudos mostram que são necessárias ao menos quatro laranjas diárias (250mg de vitamina C) para obter resultados.  A laranja exerce as seguintes ações antiinfecciosas: aumenta a capacidade dos glóbulos brancos do sangue para destruir germes, aumenta o número e a longevidade dos glóbulos brancos, dificulta o desenvolvimento dos vírus nas células humanas, aumenta a produção de interferom, uma proteína produzida pelo organismo em sua luta contra os vírus. De forma que o consumo diário de laranjas está indicado não somente para gripes e resfriados, mas em qualquer outra doença infecciosa, como a gripe suína (Influenza A ou H1N1), doenças infecciosas infantis e até a Aids.  A laranja é tão importante como fonte de Vitamina C que, ao aproximar o inverno nos Estados Unidos, a preocupação com a disseminação do vírus H1N1 está levando a população a recorrer à velha e boa vitamina C, o que  ampliou o consumo de suco de laranja no país e animou os investidores a elevar  as apostas nos contratos do suco em Nova York. (Valor Econômico) “Muitas pessoas acham que altas doses de vitamina C as livrarão de pegar resfriado. Recebemos muitas ligações de especuladores e a maioria dizia querer uma posição porque achava  que a gripe H1N1 vai atacar e que as pessoas vão beber muito mais suco de laranja”, disse Fain Shaffer, da americana Infinity Trading Corp. à agência Reuters. Para ele, se a demanda continuar em Nova York, os preços têm espaço para subir mais 25% até fevereiro de 2010. A escalada de preços do suco de laranja na bolsa ganhou força nas últimas semanas, em parte por causa da gripe transmitida pelo vírus H1N1. 
 
Trombose, arteriosclerose e afecções cardiovasculares: Os flavonóides contidos na laranja, potencializados pela vitamina C, têm efeito de  inibir a tendência das plaquetas do sangue de formar coágulos. Dessa forma, as laranjas contribuem para tornar o sangue mais fluido e melhorar a circulação, especialmente nos órgãos que necessitam um aporte  constante de sangue como o cérebro e o coração. 
A polpa da laranja é rica em pectina, um tipo de fibra solúvel que faz baixar o nível do colesterol com o consumo habitual de laranjas, incluindo a polpa e o mesocarpo (película branca), é associado ao nível reduzido de colesterol no sangue, a uma pressão arterial menor e risco inferior de arteriosclerose, trombose arterial e de afecções coronárias. 
 
Prisão de ventre: a laranja contribui  para vencer a prisão de ventre e atonia intestinal.
 
Alergias: as pessoas que apresentam um nível alto de vitamina C no  sangue têm menor risco de sofrer alergias, tais como rinite ou asma  bronquial. 
 
Desmineralização: a laranja contém de 30 a 40 mg/100g de cálcio,  enquanto o leite contém 119mg. Além disso, o ácido cítrico contribui para que esse cálcio seja absorvido melhor pelo intestino. A vitamina C é um fator essencial no crescimento e sustentação dos ossos, dentes e  cartilagens. A laranja também é recomendada em casos de osteoporose, raquitismo e sempre que um aporte maior de sais minerais for necessário.
 
Excesso de ácido úrico (gota): a dieta de laranjas e limões é muito eficaz para facilitar a dissolução e eliminação dos depósitos de ácido úrico das articulações. Cálculos renais também podem se dissolver, pelo menos parcialmente, com a dieta de laranjas.
 
Afecções oculares: por sua riqueza em carotenóides e de outros antioxidantes, a laranja é de grande utilidade na prevenção da degeneração macular da retina, causa mais importante de cegueira depois dos 65 anos nos países ocidentais. 
 
Prevenção do câncer: A vitamina C possui ação anticancerígena.  Igualmente ocorre com os elementos fitoquímicos contidos na laranja e em outros citros.
 
 
“O suco de laranja se popularizou como bebida para o desjejum e refresco natural. Sua composição é semelhante à da laranja, ainda que contenha menos cálcio e menos fibra. Ambos nutrientes encontram-se principalmente na polpa. Os sucos embalados  elaborados à base de suco  de laranja reconstituído são uma boa alternativa ao suco natural, embora as perdas de vitamina C durante o processo de embalagem sejam calculadas em 10%. As vitaminas restantes, o ácido fólico e os minerais se mantêm. Por isso, na falta de suco natural, consuma o reconstituído.”
 
Bibliografia
1) O Poder Medicinal dos Alimentos – Dr. Jorge Pamplona. 1a edição – 2008 – Casa Publicadora Brasileira
2) Medicina Alternativa de A a Z – Carlos Nascimento Spethmann. 6a edição – Editora Natureza
3) A Cura e a Saúde Pelos Alimentos – Dr. Ernest Schineider. 14a edição – 1990 – Casa Publicadora Brasileira 
4) Manual de Nutrientes – Prevenção das Doenças Através dos Alimentos – Eronita de Aquino Costa. 2a edição – 2002 – Vozes
5) Livro dos Alimentos – Paulo Eiró Gonsalves. 1a edição – 1992 – Livraria Martins Fontes Editora Ltda.
6) Jornal Valor Econômico – Edição de 19/11/2009
 
 
Eng. Agr. Hamilton Ferreira de Carvalho Rocha
GCONCI
 
Médico Haroldo Ferreira de Carvalho
Doutor em Cardiologia
 
 
 
Revista Citricultura Atual – GCONCI – Grupo de Consultores em Citros  - ed. 73 de Dezembro 2009


 

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