Qualidade Nutricional da Laranja

Um bom argumento para se acreditar no desenvolvimento do mercado de consumo

 


Pesquisa revela que a laranja está entre os 15 produtos, de um total de 25.000 pesquisados, que obtiveram nota máxima em qualidade alimentar

 

Parabéns ao citricultor que cultiva um dos melhores alimentos para se viver mais, a laranja. Em dezembro de 2008, a revista Saúde da editora Abril publicou o ranking dos alimentos essenciais


para a longa vida dos consumidores e a laranja foi um dos campeões com 100 pontos, ao lado de alimentos como aspargo, damasco seco, vagem, mirtilo e brócolis, entre outros (figura 1).

 

A pontuação foi dada por uma equipe de doze profissionais de diversas instituições norte-americanas liderados pelo nutrólogo David Katz. Diretor do departamento de estudos médicos em saúde pública da Escola de Medicina da Universidade de Yale - uma das mais prestigiadas  universidades americanas -, Dr. Katz também dirige a Yale Prevention Research Center, fundada em 1998.

 

Com o objetivo de melhorar a saúde e dar longa vida aos americanos, a equipe criou o NuVal System (Overall Nutritional Quality Index, ou Índice Geral de Qualidade Nutricional dos Alimentos).

 

O projeto amadureceu em 2003, quando a Secretaria de Saúde dos Estados Unidos pediu  sugestões aos estudiosos para conter as epidemias de diabetes, obesidade e outros males capazes de encurtar a vida. “As pessoas ainda se sentem confusas na hora de selecionar o que vão comer.

 

O quê nós propusemos foi justamente um índice para medir a qualidade nutricional dos alimentos, além de uma maneira objetiva de ranqueá-los”, lembra Katz. Os criadores esperam que o NuVal  passe a ser utilizado por milhares de supermercados nos Estados Unidos como ponto de referência para orientar o consumidor na compra de alimentos necessários a uma dieta saudável. A equipe avaliou mais de 25 mil alimentos e, entre eles, apenas 15 receberam a nota 100 e a superioridade da laranja teve força em vários quesitos, entre eles:

 

Vitaminas - a laranja conta com doses generosas de vitaminas e é celebrada por ser uma das maiores fontes de vitamina C, um super antioxidante que reforça as defesas contra doenças causadas por microorganismos e ajuda no combate ao câncer.

 

Fibras - o bagaço da laranja é rico em substâncias que, além de ajudar o intestino a trabalhar melhor, contribuem para equilibrar os níveis de açúcar no sangue.

 

Flavonóides - a laranja também é rica em outras substâncias, como os flavonóides, que enfrentam os radicais livres - moléculas que oxidam compostos celulares e prejudicam a vida das células no corpo. Gerados constantemente no organismo, os radicais aumentam em situações de estresse (figura 2) e, ao combatê-los, a laranja é uma fantástica aliada para a saúde.

 

O ranking está sendo considerado revolucionário ao ensinar as pessoas a escolher melhor os alimentos, a ponto de ser estampado em etiquetas para serem coladas nas frutas, hortaliças e em diversos produtos. Atributos como sabor e aroma, não foram considerados para o NuVal System, o que dão a laranja uma vantagem para conquistar novos consumidores, pois a coloração de sua polpa, seu sabor e aroma são apreciados por milhões de pessoas no mundo, independentemente
de faixa etária e classe social. O suco de laranja não-concentrado, NFC, que teve sua produção significativamente aumentada nos últimos anos, também mostra a tendência do mercado por produtos saudáveis, pois conserva magnificamente as propriedades da fruta.

 

Caso haja aumento na demanda de alimentos saudáveis no futuro próximo, certamente haverá vantagens nos aspectos produtivos e de logística que favorecerão a laranja, pois é produzida em vários lugares do mundo, embora poucos possam aumentar a produção como o Brasil, que possui abundância de recursos naturais. Sua facilidade de conservação e transporte, quando comparadas a outros alimentos que também obtiveram nota máxima, podem ser estímulos para novas  estratégias de desenvolvimento do produto, bem como para encorajar investidores a fazerem o marketing da fruta com o objetivo de aumentar as vendas e ampliar os negócios. Há outros movimentos importantes na busca da melhor qualidade de vida por meio de uma alimentação saudável que podem dar força ao marketing da laranja. Ao contrário do fast food, onde se pensa pouco na qualidade dos alimentos, o movimento slow food aposta que comer bem é fundamental para se viver bem. Fundado pelo italiano Carlo Petrini, em 1986, o slow food tornou-se uma associação internacional sem fins lucrativos em 1989. Atualmente, conta com mais de 80.000 membros e têm escritórios na Itália, Alemanha, Suíça, Estados Unidos, França, Japão e Reino Unido e apoiadores em 122 países.

 

O princípio básico do movimento é o direito ao prazer da alimentação, por meio do uso de produtos de qualidade e produzidos respeitando-se o meio ambiente e às pessoas envolvidas na sua produção. O conceito do slow food está ganhando espaço para além da cadeia de alimentos. Tudo precisa ser repensado, já que rápida é a vida e caro são os prejuízos provocados pela perda da saúde. O slow food agrega valores importantes para as empresas que querem ser competitivas e pode ser explorado por pequenas empresas que buscam se diferenciar no mercado, pois o foco
de atuação do slow food deixa de ser a produção em massa para se concentrar na qualidade.

 

Se considerarmos o crescimento do slow food e de outros movimentos, o NuVal System pode ser um alento às notícias recentes sobre a redução no consumo do suco de laranja, embora as quedas bruscas nos preços estão mais para um ajuste sazonal de mercado do que para uma mudança repentina de hábito alimentar. Mesmo sobre a pressão da concorrência de bebidas açucaradas e artificiais, o produtor de laranja deve acreditar que há argumentos para a laranja avançar e ganhar inúmeros adeptos.

 

O esforço de marketing pode trazer recompensas aos seus investidores e para que este  investimento dê certo é necessário driblar a concorrência e os argumentos dos refrigerantes. Se estamos vacinados em relação às campanhas para consumo do suco na merenda escolar, entre outros que não funcionam por falta de vontade política, passa ser necessário pensar em algo inovador, inteligente e, talvez, provocador.

 

O engenheiro agrônomo e produtor Pedro Luiz Ianinni deu uma dica sobre como explorar nosso potencial de consumo: “no Brasil, o consumo interno é mínimo (cerca de 20% da produção paulista). Uma caixa de laranja de 40,8KG resulta em 18 litros de suco natural, o que equivale a 60 copos de 300 ml. Com a capacidade de produção em torno de 350.000.000 caixas, se cada brasileiro tomar um copo por semana, seriam consumidas cerca de 200.000.000 de caixas (duzentos milhões de caixas de laranja)”.

 

O que poderia acontecer se nossos produtores investissem no marketing para aumentar o consumo interno de suco de laranja? Enquanto gastamos milhões para produzirmos uma boa laranja, pacificamente deixamos que os fabricantes de refrescos artificiais “roubem” consumidores ávidos por saúde.

 

 

 

 

 

 

Eng. Agr. Camilo Lázaro Medina
GCONCI

 

(matéria veiculada na revista Citricultura Atual, fev/2009)

 


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